Artigo de :
Diego Brito

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On 10 de janeiro de 2016
Last modified:24 de fevereiro de 2017

Summary:

Uma vez que o produto já está no mercado, por que não permitir ao usuário a oportunidade de participar dos processos de melhoria e inovação do produto

No seu vídeo disponível no site do TED (vídeo no fim do post), Charles Leadbeater pergunta: quem inventou a Mountain Bike?“. Falando sobre o processo de inovação, ele começa a passar algumas pistas falsas sobre o real acontecimento, dizendo que “grandes laboratórios desenvolveram esse projeto, levando essa ideia monumental de P&D à realidade”, e até mesmo apostando que “um gênio isolado em sua garagem a desenvolveu como uma ideia revolucionária de produto”.

Em verdade, um grupo de inventores entusiastas ligados ao mercado de motocicletas colocaram em prática o projeto que chamaram de “bangers”. A motivação do grupo foi a difícil escolha entre uma moto esportiva e frágil ou uma bicicleta pesada e rígida para aproveitar os seus momentos de diversão nas horas vagas. Hoje, as montain bikes desfilam como as campeãs de vendas no mercado global do segmento.

Longe dos laboratórios de pesquisa e das grandes empresas, esta pode ser vista como uma inovação real, desenvolvida por e para os seus usuários, inspirada nas suas expectativas.

Mas há realmente uma receita única para o processo de inovação?

Inovação é o grande chavão dos últimos anos, mesmo ainda sendo uma palavra turva em seus significados no âmbito dos negócios. Vamos usar de exemplo a equipe a qual você trabalha diariamente. Se arrisque a perguntar aos seus colegas o que entendem por inovação e qual o grau de inovação que aplicam em seu trabalho. Vai, pergunte! Esse blog pode esperar. Faça esse exercício, volte e compartilhe as suas notas de retorno. Enquanto você ainda colhe as suas respostas, deixe-me adivinhar o seu resultado.

Alguns explicaram que nunca tem tempo, vivem numa agenda de “emergências” e estão se sentindo sobrecarregados demais para pensar nas suas tarefas. Outros ainda vão dizer que apenas reproduzem o que lhes foi repassado nas experiências em outros empregos, e até mesmo no seu atual ambiente de trabalho. Sinto lhe dizer, mas… NÃO! Não haverá inovação qualquer na sua empresa. Os mais entusiastas vêem uma inovação em cada novo projeto iniciado e cada ideia discutida. Mas é muito pouco.

Haverá também um consenso quanto ao significado não estabelecido da palavra “inovação”, porque todo mundo a vê de maneira egocêntrica. Essa é a beleza e a dificuldade de pensarmos sobre o tema. Leadbeater procura dividir o conceito de inovação em dois outros, mais específicos.

DE RUPTURA

Incorpora a tecnologia desenfreada que revoluciona um campo demasiadamente esquecido em muitos casos. Há sempre um “antes” e um “depois” na história quando acontece esse tipo de inovação: a máquina à vapor, o telefone, rádio, TV, internet.

INCREMENTAL

Diz respeito da melhoria contínua de um objeto ou processo já existente. É a inovação vista como “um passo à frente”, mas que a tendência é que seja esquecida muito rapidamente. Em geral, permite aumento de desempenho em determinados processos, redução de custos, aumento de ergonomia de um produto, etc.

Mas podemos caracterizar inovação a partir dessa distinção? Não necessariamente. O Wikcionário trata a etimologia da palavra “inovação” como:

Vem do latim innovatio (a mudança, renovação), próprio derivado do verbo innovare (ação de introduzir uma nova coisa).

Aos meus olhos, inovação deve ser definida por outros dois conceitos básicos: a novidade e a utilidade.

– Novidade que vê o criador quando apreende a nova prática.

– Utilidade que faz mudar o cotidiano do usuário, lhe dando nova utilização.

Dessa maneira, podemos entender que a grande invenção da mountain bike foi criada longe das indústrias no primeiro momento, adentrando às fábricas em um momento seguinte e passando por processos de refino e melhoria.

Mas isso vai longe! Uma vez que o produto já está no mercado, por que não permitir ao usuário a oportunidade de participar dos processos de melhoria do produto, lhe oferecendo a oportunidade de uso e avaliação dessa tecnologia, e seu consequente relato?

A Microsoft compreendeu todo o fenomenal potencial dessa ideia quando lançou o Kinect. Uma vez conectado a um computador ou ao console do XBOX360, o dispositivo pode detectar movimentos em 3D diante das câmeras. Para a turma de Bill Gates, a tecnologia foi uma tremenda inovação , acima de tudo quanto à experiência do videogame na sua casa. Contudo, quando permitiu que os usuários “hack” participassem do desenvolvimento do dispositivo, a empresa desenvolveu uma comunidade (Kinect SDK) com a finalidade de ampliar a usabilidade do produto, convergindo melhorias e adaptações. Os cientistas da empresa trabalhavam nas pesquisas iniciadas pelos usuários, enquanto os mais aficionados continuavam a explorar as formas de interatividade do dispositivo.

Uma coisa é certa: uma vez criado produto, tenha a inovação como uma grande reunião entre a tecnologia e seu uso, onde o usuário é o grande artista.

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INOVAÇÃO: o grande chavão necessário dos últimos anos
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